Mundo ficciónIniciar sesión"Eleonora a observava no escuro, seus olhos brilhando de um jeito que Ashley não conseguia explicar. Um arrepio percorreu sua espinha, mas não era medo. Era algo mais profundo, algo que a fazia prender a respiração. — Você me quer, Ash? — A voz de Eleonora era um sussurro sedutor, carregado de um segredo que Ashley ainda não entendia. Ashley queria responder, queria dizer que sim, mas algo nela hesitava. Quem era Eleonora, de verdade? E por que, mesmo sabendo que deveria ter medo, tudo que queria era se aproximar ainda mais?"
Leer másAshley observava a cidade enquanto o carro seguia pela avenida principal. Era uma tarde cinzenta, e as nuvens pesadas refletiam bem seu humor. Sentada no banco do passageiro ao lado de sua mãe, ela não conseguia deixar de pensar em como sua vida havia mudado drasticamente em questão de meses. Antes, vivia em uma cidade pequena onde todos se conheciam, onde o maior evento do ano era a feira de artesanato local e o céu era sempre estrelado à noite. Agora, tudo que via à sua frente eram prédios altos, ruas movimentadas e um constante ruído de fundo que a deixava tonta.
— Estamos quase chegando, Ash, — disse sua mãe, com um sorriso tenso nos lábios.
Ashley não respondeu. Estava ocupada Ashley não respondeu. Estava ocupada demais tentando processar tudo. O divórcio, a mudança, a nova cidade… Era demais para ela. Sua mãe parecia estar tentando se manter otimista, mas Ashley via a tristeza escondida em seus olhos. O casamento tinha acabado há apenas três meses, e sua mãe ainda estava se ajustando tanto quanto ela.
O carro entrou em um bairro residencial, com casas geminadas que pareciam uma cópia umas das outras. Nenhuma delas tinha o charme rústico da antiga casa no campo, com suas paredes de madeira e o jardim selvagem que o pai de Ashley tentava manter sob controle sem muito sucesso. Ali, tudo parecia tão artificial, como se cada casa estivesse tentando se sobressair pela perfeição.
— É aqui. — Sua mãe parou o carro em frente a uma casa de dois andares, de cor clara, com uma pequena varanda e um jardim minúsculo na frente. Havia uma placa de — Vende-se — no gramado, como um lembrete constante de que aquele lugar também não era realmente delas. Apenas mais uma casa temporária.
Ashley desceu do carro lentamente, sentindo o vento frio da tarde bater em seu rosto. Enquanto sua mãe se apressava para abrir a porta da frente, ela ficou parada por um momento, observando o novo bairro. Algumas crianças brincavam de bicicleta na rua, enquanto adultos carregavam sacolas de compras para dentro de suas casas. Tudo parecia tão normal, tão pacífico, mas para Ashley, nada estava em paz.
— Você vai me ajudar a descarregar as coisas? — A voz de sua mãe a tirou de seus pensamentos. Ashley assentiu e foi até a porta — malas. As malas estavam amontoadas ali, um lembrete do quanto de sua antiga vida estava resumido àquelas poucas caixas. Não era muito, mas o suficiente para fazê-la sentir o peso de cada memória.
Entrar na nova casa foi ainda mais difícil. Era o símbolo de tudo o que ela estava deixando para trás, e enquanto caminhava pelos cômodos vazios, sentia uma desconexão total. Havia um eco no silêncio daquela casa que a fazia se sentir ainda mais sozinha.
O primeiro andar tinha uma pequena sala de estar, uma cozinha aberta e uma escada que levava ao segundo andar. Havia três quartos no andar de cima, e Ashley escolheu o que ficava de frente para a rua. O quarto não era grande, mas tinha uma janela que deixava entrar a luz do dia e dava uma boa vista do bairro. Ela jogou sua mochila no chão e se jogou na cama, que ainda estava sem lençóis.
Fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos que vinham à tona, mas era impossível. Ela pensava no pai, em como ele estava lidando com tudo. Ele tinha ficado na cidade pequena, na velha casa que agora parecia tão distante. Ele prometera visita-las assim que pudesse, mas Ashley sabia que isso poderia demorar. As coisas entre ele e sua mãe não haviam terminado bem, e cada visita seria apenas um lembrete disso.
Sua mãe apareceu na porta do quarto, batendo levemente antes de entrar.
— Então, o que acha do seu novo quarto? — Ela tentou soar animada, mas Ashley percebeu o nervosismo na voz dela.
— É… bom, — murmurou Ashley, sem realmente acreditar no que dizia.
Sua mãe suspirou e se aproximou, sentando-se na beirada da cama.
— Eu sei que isso não é fácil, Ash. Mas prometo que vamos fazer isso funcionar. A cidade grande pode ser assustadora no começo, mas tenho certeza de que logo você vai se adaptar.
Ashley queria acreditar naquelas palavras, mas tudo ainda parecia tão surreal. Ela olhou para a janela, observando as nuvens escuras que começavam a se dissipar, revelando o céu alaranjado do fim da tarde. — Eu sei, mãe. Só… vai demorar um pouco. —
Sua mãe sorriu tristemente e assentiu.
— Vamos descer e pedir uma pizza? Acho que merecemos uma folga hoje.
Ashley apenas assentiu e seguiu a mãe para o andar de baixo. Enquanto ela fazia o pedido por telefone, Ashley olhou pela janela da sala, observando os vizinhos que começavam a acender as luzes de suas casas. Cada uma delas parecia tão diferente da sua, cheia de vida e rotina. A dela ainda era apenas um lugar vazio.
A noite caiu, e o som constante de carros passando pela rua fez Ashley perceber que estava longe do silêncio confortável a que estava acostumada. A antiga casa no campo tinha apenas o som distante dos grilos e o vento balançando as folhas das árvores. Aqui, a cidade parecia nunca dormir.
Depois de comer a pizza, Ashley subiu para seu quarto. Ela pegou o celular e ficou rolando pelas redes sociais, vendo as fotos de seus antigos amigos na cidade pequena. Eles estavam todos seguindo com suas vidas, postando sobre os mesmos lugares de sempre. Ninguém parecia perceber o quanto tudo estava diferente para ela. Isso só a fez se sentir ainda mais isolada.
Quando finalmente decidiu tentar dormir, o sono não veio fácil. Ela se revirava na cama, tentando encontrar uma posição confortável, mas seus pensamentos a mantinham acordada. Ela pensava na escola nova que começaria na próxima semana, nas novas pessoas que teria que conhecer, e no fato de que seu antigo grupo de amigos estava a quilômetros de distância.
E então, havia o divórcio. Não era algo que ela queria pensar, mas era impossível ignorar. Ashley sabia que as brigas entre seus pais estavam piorando há anos, mas nunca achou que chegariam ao ponto de se separarem. E agora, lá estava ela, em uma nova casa, em uma nova cidade, com uma nova vida que não parecia a dela.
Eventualmente, o cansaço venceu, e Ashley adormeceu, mas não foi um sono tranquilo. Seus sonhos eram cheios de imagens desconexas, misturando lembranças antigas e medos novos. A cidade grande a envolvia em um nevoeiro espesso, e em algum lugar distante, ela ouvia vozes chamando seu nome.
A manhã seguinte trouxe consigo uma leve neblina que cobria o bairro. Quando Ashley acordou, a luz fraca que entrava pela janela parecia ainda mais fria do que o dia anterior. Ela se levantou lentamente, sentindo o corpo pesado, como se tivesse carregado o mundo em suas costas durante a noite.
Desceu as escadas e encontrou a mãe na cozinha, já vestida para o trabalho.
— Bom dia, querida. Como foi a noite?
Ashley deu de ombros.
— Difícil dormir.
Sua mãe sorriu de maneira reconfortante.
— É normal. Vai melhorar com o tempo. Hoje tenho que sair para resolver algumas coisas do trabalho, mas deixei um pouco de café pronto, se você quiser.
— Obrigada.
Depois que a mãe saiu, Ashley ficou sozinha na casa. O silêncio era opressor. Ela preparou uma xícara de café e se sentou na mesa da cozinha, olhando para o celular em busca de algo que distraísse sua mente. Mas nada parecia aliviar o desconforto.
Com o passar das horas, ela decidiu dar uma volta pelo bairro. Precisava sair de casa e respirar um pouco. Vestiu uma jaqueta leve, calçou os tênis e saiu. A manhã estava fria, e a neblina tornava as ruas quase oníricas, como se estivesse em um sonho. Andou sem rumo por algum tempo, observando as casas e os poucos moradores que se aventuravam fora de suas casas. Era um bairro tranquilo, mas ainda assim, havia algo que a deixava inquieta.
Em uma esquina, Ashley parou para observar um grupo de adolescentes da sua idade conversando e rindo em frente a uma sorveteria. Eles pareciam tão confortáveis ali, como se aquele lugar sempre tivesse sido deles. Sentiu uma pontada de inveja. Ela também queria se sentir assim, à vontade, em casa. Mas por enquanto, tudo ainda era estranho e distante.
Continuou caminhando até chegar a um pequeno parque no centro do bairro. Havia algumas árvores e um playground vazio. Sentou-se em um dos balanços e fechou os olhos, tentando se conectar com a tranquilidade do lugar. No fundo, sabia que estava tentando encontrar um pouco da paz que sentia na antiga casa.
Foi quando ouviu um som suave de passos atrás dela. Virou-se lentamente e viu uma garota parada ao lado de uma das árvores. Ela era alta, magra, com cabelos longos e escuros que caíam em ondas perfeitas. Seu rosto era pálido, quase etéreo, e seus olhos azuis pareciam brilhar, mesmo na luz fraca do dia. Ela estava parada ali, apenas observando Ashley com uma expressão serena, mas intensa.
Ashley sentiu o coração acelerar por um momento, surpresa com a presença da garota.
— Oi, disse, tentando soar amigável, embora estivesse um pouco desconcertada.
A garota sorriu levemente, um sorriso que parecia carregar segredos.
— Oi, — respondeu ela, com uma voz suave, quase hipnótica. — Você é nova por aqui?
Ashley assentiu.
— Cheguei ontem. Me mudei com minha mãe.
A garota deu alguns passos em direção ao balanço ao lado de Ashley e se sentou.
— É um bom lugar para se viver, apesar do que parece no começo.
Havia algo na maneira como ela falava que deixou Ashley intrigada. Era como se cada palavra fosse escolhida com cuidado, como se ela soubesse mais do que estava dizendo.
— Eu ainda estou me acostumando, disse Ashley, sentindo-se ligeiramente desconfortável sob o olhar penetrante da garota. Ela não sabia exatamente o que a deixava tão inquieta, mas havia algo naquela garota que parecia diferente. Talvez fosse o jeito confiante e tranquilo com que ela se movia, como se já estivesse acostumada a ser o centro das atenções. Ou talvez fosse aquele sorriso misterioso que parecia esconder algo.
— Vai se acostumar, — respondeu a garota, balançando-se levemente no balanço.
— O começo é sempre difícil, mas depois de um tempo, você encontra seu lugar.
Ashley tentou sorrir, mas sentia-se como uma estranha na própria pele.
— Espero que sim.
A garota a observou por alguns segundos antes de estender a mão.
— Meu nome é Eleonora.
— Ashley. — Ela apertou a mão de Eleonora, notando como estava fria, quase gelada ao toque. Mesmo assim, o contato foi breve, e Eleonora rapidamente puxou a mão de volta.
— Você vai estudar na escola daqui do bairro? — Perguntou Eleonora, inclinando a cabeça ligeiramente, como se estivesse genuinamente curiosa.
— Sim, começo na semana que vem. — Ashley suspirou. — Estou um pouco nervosa. Não conheço ninguém.
Eleonora deu um sorriso compreensivo.
— Isso vai mudar em breve. Eu estudo lá também. Talvez a gente se veja por lá.
Ashley assentiu, um pouco aliviada.
— Isso seria bom. Acho que ter alguém conhecido por perto vai ajudar.
Por alguns instantes, as duas ficaram em silêncio, apenas observando o parque vazio à sua volta. O som distante de carros e vozes se misturava com o leve chiado das folhas ao vento. Eleonora parecia tão confortável naquele silêncio, enquanto Ashley se sentia cada vez mais presa a seus próprios pensamentos.
— Bem, foi bom te conhecer, Ashley, — disse Eleonora, levantando-se do balanço com um movimento gracioso. — Espero te ver em breve.
Antes que Ashley pudesse responder, Eleonora já estava se afastando, caminhando lentamente pelo parque até desaparecer atrás de algumas árvores. Ela ficou observando até que a figura esguia de Eleonora sumisse de vista. Havia algo naquela garota que a intrigava, algo que ela não conseguia definir com clareza. Era quase como se Eleonora fosse um enigma esperando para ser decifrado.
Ashley balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos confusos, e começou a caminhar de volta para casa. O encontro breve com Eleonora havia deixado uma impressão, mas ela ainda estava tentando entender o que exatamente havia sido tão estranho.
Os dias seguintes passaram devagar. Ashley e sua mãe começaram a desempacotar as caixas, tentando transformar a casa vazia em um lar. Cada novo objeto colocado no lugar era um pequeno passo em direção à normalidade, mas ainda assim, Ashley sentia-se deslocada. A antiga rotina havia sido completamente destruída, e ela se agarrava a qualquer coisa que pudesse lhe dar uma sensação de controle.
Naquela mesma semana, chegou o primeiro dia de aula. Ashley se levantou cedo, com um nervosismo que há muito tempo não sentia. Vestiu-se de maneira simples, com uma camiseta preta, jeans e tênis confortáveis. Ela não queria chamar atenção, apenas passar despercebida, como uma sombra entre a multidão.
O caminho até a escola foi rápido. O campus era grande, com prédios modernos e um pátio central que parecia sempre cheio de estudantes. Assim que entrou, sentiu todos os olhares voltados para ela. Sabia que era normal em uma escola nova, mas isso não tornava a sensação menos desconfortável.
Ela foi até a secretaria, onde pegou seu horário de aulas. O primeiro período seria de literatura, o que a deixou um pouco animada. Sempre gostou de ler, e talvez isso a ajudasse a se sentir mais à vontade.
Ao entrar na sala de aula, percebeu que a maioria dos estudantes já estava sentada. Encontrou um lugar vazio no fundo da sala e se sentou, tentando se manter invisível. Mas antes que pudesse relaxar, uma figura familiar entrou na sala.
Eleonora.
Ela caminhava pelo corredor central da sala como se todos os olhares fossem naturalmente atraídos para ela. E, de fato, eram. Ashley viu como alguns alunos sussurravam e trocavam olhares quando Eleonora passou. Ela parecia flutuar entre os olhares curiosos e as conversas baixas, como se estivesse acima de tudo aquilo.
Eleonora se sentou algumas fileiras à frente de Ashley, mas não parecia notar sua presença. Ashley se sentiu aliviada por um momento, mas também decepcionada. Parte dela esperava que Eleonora fosse até ela, que se sentasse ao seu lado e a fizesse sentir-se menos sozinha.
A aula começou, e Ashley tentou se concentrar no que o professor dizia, mas seus pensamentos continuavam a vagar. Ela olhava para Eleonora de vez em quando, observando como ela parecia tão à vontade, tão natural naquele ambiente. Era o completo oposto de como Ashley se sentia.
Quando o sinal finalmente tocou, indicando o fim da aula, Ashley juntou suas coisas rapidamente, ansiosa para sair da sala. Mas, antes que pudesse se levantar, Eleonora apareceu ao seu lado, com aquele mesmo sorriso intrigante no rosto.
— Oi, Ashley. Como foi a primeira aula?
Ashley engoliu em seco, surpresa com a aproximação repentina. — Foi… boa, eu acho. Só estou tentando me adaptar.
— Você vai se sair bem, — disse Eleonora, inclinando a cabeça levemente. — E, se precisar de alguém para te mostrar o caminho, estou por aqui.
— Obrigada, — respondeu Ashley, genuinamente grata pela oferta.
Eleonora sorriu novamente, mas desta vez, havia algo a mais em seus olhos. Algo que Ashley não conseguiu decifrar. Era quase como se Eleonora estivesse escondendo algo, um segredo profundo que ela mantinha bem guardado. E, por alguma razão, isso deixou Ashley ainda mais intrigada.
Enquanto Eleonora se afastava para o próximo período, Ashley ficou parada por um momento, sentindo uma estranha mistura de curiosidade e apreensão. Havia algo em Eleonora que a puxava para mais perto, mesmo que ela não entendesse o porquê.
Ao final do dia, Ashley estava exausta. A nova escola, os rostos desconhecidos, a constante sensação de estar fora do lugar… tudo parecia drenar sua energia. Quando finalmente chegou em casa, jogou-se no sofá, tentando afastar as lembranças do dia.
Sua mãe chegou logo depois, trazendo algumas sacolas de compras.
— Como foi o primeiro dia de aula?
Ashley deu de ombros.
— Foi ok. Conheci algumas pessoas. E tem uma garota… Eleonora. Ela parece legal. — Sua mãe sorriu, animada.
— Isso é ótimo! Fazer novos amigos vai tornar tudo mais fácil.
Ashley assentiu, mas por dentro, ainda estava pensando em Eleonora. Algo nela parecia tão… diferente. Ela não conseguia parar de pensar naquele sorriso enigmático, na maneira como Eleonora a olhava, como se soubesse algo que ninguém mais sabia.
E foi assim que, sem perceber, Ashley começou a se envolver na teia de mistérios que Eleonora trazia consigo.
Mais tarde naquela noite, enquanto Ashley estava em seu quarto, deitada na cama com os olhos fixos no teto, seus pensamentos continuavam a girar em torno de Eleonora. Havia algo de enigmático naquela garota, algo que parecia ao mesmo tempo convidativo e assustador. Ela se perguntou por que Eleonora havia se aproximado dela, uma recém-chegada que tentava ao máximo não chamar atenção.
— Talvez ela seja apenas simpática, — pensou Ashley, tentando convencer a si mesma. Mas, quanto mais pensava, mais difícil era ignorar os detalhes que a perturbavam. O toque de Eleonora era sempre frio, mesmo sob o sol quente. E havia aqueles momentos estranhos, quando o olhar de Eleonora parecia se intensificar de uma maneira quase hipnótica. Ashley sacudia a cabeça para afastar essas ideias, tentando convencer-se de que eram apenas fantasias.
Olhando para o lado, Ashley pegou seu diário e começou a rabiscar algumas palavras. Escrever sempre foi uma forma de aliviar a mente, e ultimamente, ela tinha muito com o que lidar. Desde a separação dos pais, tudo parecia estar de cabeça para baixo, e agora, essa mudança para uma nova cidade só aumentava a sensação de estar perdida.
Ela começou a escrever sobre seu encontro com Eleonora no parque, sobre como a garota parecia ao mesmo tempo acolhedora e distante. E sobre o toque de sua mão, que parecia sempre carregado de uma frieza incomum. Havia algo naquela garota que não encaixava, algo que Ashley sentia que não era natural. Porém, a maneira como Eleonora sorria para ela, com uma intensidade que a fazia sentir-se especial, a confundia ainda mais.
Após escrever por um tempo, Ashley fechou o diário, deixando escapar um suspiro longo e cansado. Por mais que tentasse, a presença de Eleonora continuaria a rondar seus pensamentos. Mas talvez, com o tempo, as coisas ficassem mais claras.
Nos dias que se seguiram, Eleonora continuou a aparecer na vida de Ashley. Elas se encontravam nos corredores da escola, trocavam algumas palavras durante as aulas, e de vez em quando, Eleonora até a acompanhava no caminho para casa. Eleonora tinha o jeito de estar sempre por perto, mesmo quando Ashley não esperava. Aos poucos, a ruiva se pegou ansiando por essas conversas, mesmo sem entender o motivo.
Eleonora, por outro lado, parecia cada vez mais fascinada por Ashley. Havia algo na simplicidade e na vulnerabilidade da garota que a atraía, como uma chama impossível de resistir. Mesmo assim, ela mantinha seus segredos bem guardados. Quando seus olhos seguiam os movimentos de Ashley, havia uma espécie de fome neles que a jovem ruiva não conseguia decifrar.
Uma tarde, enquanto as duas caminhavam pelo parque perto da escola, Ashley finalmente decidiu fazer uma pergunta que vinha martelando em sua mente há algum tempo.
— Eleonora, por que você se aproximou de mim? — Perguntou Ashley, tentando esconder a curiosidade em sua voz.
Eleonora parou por um momento, como se estivesse ponderando a resposta. Seus olhos refletiam a luz suave do sol que começava a se pôr, tornando seu olhar ainda mais profundo.
— Você parecia precisar de alguém, Ashley. E talvez eu também precisasse de alguém.
A resposta deixou Ashley surpresa. Não era o que ela esperava ouvir, mas, de alguma forma, parecia fazer sentido. Ambas estavam lidando com suas próprias batalhas, com suas próprias solidões. E, por mais que Ashley ainda tivesse dúvidas sobre essa amizade, ela sabia que não queria afastar Eleonora. Talvez fosse a maneira como Eleonora olhava para ela, sempre com uma intensidade que Ashley sentia, mas não conseguia entender completamente.
— Eu acho que sim, — respondeu Ashley, com um pequeno sorriso. — Talvez a gente possa ajudar uma à outra. —
Eleonora sorriu de volta, mas havia algo em seu olhar que deixava Ashley com uma sensação estranha, como se estivesse se aproximando de algo que ainda não conseguia compreender. No entanto, junto com essa incerteza, Ashley também sentia uma crescente atração, algo que não queria admitir, mas que a fazia ansiar pelos encontros com Eleonora.
Naquela noite, enquanto o sono finalmente a envolvia, Ashley pensou no sorriso enigmático de Eleonora, um sorriso que parecia guardar todos os segredos do mundo. O mistério estava apenas começando.
Os primeiros raios de sol pintavam o céu em tons de laranja e dourado, afastando os últimos vestígios da noite. Na varanda, Ashley e Eleonora ainda estavam lado a lado, compartilhando o calor uma da outra. O mundo parecia mais calmo, mais seguro — mas não menos cheio de possibilidades. Ashley, envolta em um cobertor, olhava para o horizonte. — Nunca pensei que chegaria a sentir isso de novo, Eleonora. Paz. Eleonora segurou a mão dela, apertando com leveza. — Você lutou por isso, Ashley. Foi sua coragem, sua força, que nos trouxe até aqui. Elas permaneceram em silêncio por um momento, deixando o som da natureza preencher o espaço. Então, Ashley sorriu. — Quero fazer mais, Eleonora. Não apenas para nós, mas para os outros. Ensinar, proteger... mostrar que podemos enfrentar o que vier, juntos. Eleonora arqueou uma sobrancelha, divertida. — Está planejando criar uma escola de bruxaria? Ashley riu. — Talvez. Não uma escola tradicional, mas algo que ajude outros a se conectarem com
O céu estava escuro, coberto por nuvens espessas que ameaçavam desabar a qualquer momento. Ashley e Eleonora voltaram para casa exaustas após o confronto. O fracasso em capturar Vincent pesava em seus ombros, mas a esperança ainda brilhava. Elas sabiam que precisavam se reerguer rapidamente. Ashley estava sentada no chão da sala, rodeada por livros antigos e anotações espalhadas por todos os lados. Eleonora observava em silêncio, preocupada com o cansaço evidente de sua namorada. — Você precisa descansar, Ashley, — disse Eleonora, ajoelhando — se ao lado dela. — Não podemos derrotar Vincent se você se destruir antes disso. Ashley balançou a cabeça. — Não posso parar agora. Ele está mais fraco, Eleonora. Estamos perto, eu sei disso. Eleonora segurou suas mãos, forçando Ashley a olhar para ela. — E se ele usar isso contra nós? Ele sabe que está mexendo com sua mente. É exatamente o que ele quer. Por um momento, Ashley hesitou. Eleonora tinha razão, mas a ideia de deixar Vincent es
A manhã seguinte nasceu cinzenta e carregada de tensão. Ashley mal havia dormido. As palavras de Vincent ainda ecoavam em sua mente. Ela sabia que o tempo estava se esgotando, e que ele não demoraria a atacar novamente. No entanto, agora havia um plano. Um plano que poderia ser a única chance de derrota-lo.Eleonora entrou na cozinha com passos firmes, trazendo mapas e anotações.— Revisei tudo mais uma vez. O bosque é o lugar ideal para atraí-lo. Há clareiras cercadas por árvores altas, perfeitas para isolar a energia dele e dificultar sua fuga.Ashley, que estava encostada no balcão, olhando para o vazio, finalmente ergueu os olhos.— É arriscado, Eleonora. E se ele nos emboscar antes que possamos ativar o feitiço?Eleonora sentou-se ao lado dela, seus olhos encontrando os de Ashley.— Então vamos virar o jogo. Ele espera que sejamos as presas. Mas nós seremos os predadores.As duas passaram o dia montando armadilhas no bosque. Eleonora usou sua força sobrenatural para mover pedras e
Ashley segurava o papel amassado com a mensagem de Vincent. Seus olhos percorriam a caligrafia intensa, quase agressiva. Uma ideia começou a se formar em sua mente enquanto analisava cada detalhe. Ela respirou fundo, sentindo uma mistura de excitação e preocupação. — Eleonora, e se a caligrafia dele contiver mais do que palavras? — perguntou Ashley, girando o papel entre os dedos. Eleonora, que estava sentada no sofá revisando mapas do bosque que elas planejavam usar como armadilha, levantou os olhos. — Como assim? — Vincent é poderoso, mas ele também é arrogante. A maneira como ele escreve... É como se ele estivesse canalizando energia para cada palavra. Talvez eu possa usar isso contra ele. Eleonora levantou — se, aproximando — se de Ashley. — Você acha que pode reverter a energia dele? Ashley assentiu. — Não tenho certeza absoluta, mas vale a tentativa. Ele deixou isso aqui como um recado, mas pode ser uma ligação direta com sua magia. Se eu conseguir decifrar... talvez poss
O amanhecer trouxe um clima de inquietação para Ashley. A conversa com sua mentora ainda ecoava em sua mente, e cada palavra parecia se misturar ao som do vento do lado de fora. Ela desceu para a cozinha, onde Eleonora já estava de pé, preparando café com uma serenidade que contrastava com o turbilhão de pensamentos de Ashley. Eleonora olhou para ela com um sorriso caloroso, mas rapidamente percebeu o semblante tenso da namorada. — Você não dormiu bem, não é? — Eleonora perguntou, colocando uma xícara de café na frente de Ashley. Ashley suspirou, passando os dedos pelos cabelos. — Não é isso... quer dizer, dormi, mas tive outro encontro com minha mentora. Eleonora arqueou as sobrancelhas e se sentou à mesa. — O que ela disse desta vez? Ashley contou tudo, desde o feitiço de contenção até os requisitos necessários para realiza-lo. Cada palavra fazia Eleonora se inclinar mais para frente, como se estivesse pronta para absorver cada detalhe. — Um lugar de poder, algo que pertence
Ashley estava no quarto, a luz fraca do abajur lançando sombras nas paredes. O livro de bruxaria estava aberto sobre a cama, suas páginas gastas exibindo diagramas intricados e palavras em uma língua que ela começava a entender. Papéis cobriam o chão ao redor, repletos de anotações e desenhos que ela fizera durante as horas exaustivas de estudo. Ela passou as mãos pelo rosto, exausta. Tentara de tudo: traduzir os textos mais antigos, combinar ingredientes para feitiços experimentais e até meditar, buscando respostas dentro de si mesma. Nada parecia suficiente. Vincent era uma força implacável, um predador à espreita, e o tempo estava se esgotando. — Por que isso é tão difícil? — murmurou, jogando a cabeça contra o travesseiro. Foi quando sentiu algo diferente. Um arrepio percorreu sua espinha, como se o ar ao seu redor tivesse mudado. A sensação era familiar, mas ainda assim a deixava inquieta. Ashley sentou-se, olhando ao redor do quarto. A princípio, tudo parecia normal, mas entã
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