Fernanda Vasques
O silêncio do apartamento era interrompido apenas pelo som abafado da cafeteira na cozinha e pelo murmúrio baixo das vozes de Pietro e Clara. Eu continuava ali, encolhida no sofá, abraçando meus próprios joelhos como se tentasse impedir que o resto da minha alma se esparramasse pelo chão.
A manta que o Pietro colocou sobre mim pesava, mas eu ainda sentia um frio que vinha de dentro, um gelo que nenhuma camada de lã poderia aquecer. Meus olhos estavam fixos em um ponto invisível