Pietro Cavallini
O tempo no hospital não se conta em relógios. Conta-se em bipes. No ritmo sintético das máquinas que forçam o ar para dentro de um corpo que desistiu de respirar.
Eu estava encostado na parede fria do corredor da UTI, minha roupa ainda úmida, os ombros pesando toneladas. Lucas estava sentado em silêncio, o celular vibrando sem parar com as demandas de Dubai que ele agora assumia sozinho. Clara estava ao meu lado, as mãos entrelaçadas, os olhos fixos na porta de vidro duplo como