Pietro Cavallini
O som da madeira rachando sob o meu ombro foi o único estalo de realidade em um mundo que subitamente se tornou líquido.
Distorcido.
Irreal.
Quando a porta do banheiro finalmente cedeu, o que vi não foi uma cena de crime, foi o sepultamento do meu futuro. A Clara estava logo atrás de mim, o grito dela ecoando nas paredes de azulejo, um som agudo que parecia perfurar o meu crânio.
A água transbordava da banheira com uma calma insultante, escorrendo pelas bordas de porcelana como