Fernanda Vasques
Eu acordei devagar.
Como se estivesse emergindo debaixo d’água.
Abri os olhos e o teto branco do quarto da Clara pareceu girar. Minha cabeça pesava uma tonelada, um efeito colateral do calmante que tentava, sem sucesso, anestesiar o que era incurável. Meu corpo inteiro parecia feito de pedra. Cada músculo doía, cada respiração era pesada demais. Por um segundo, o silêncio do quarto me enganou. Mas então, a memória voltou. O metal frio da mesa, o rasgar do tecido, o peso sufocan