Mundo ficciónIniciar sesiónPor volta das nove e meia da noite eu passei no bar da piscina e peguei algumas cervejas, uma caixa de isopor com gelo e comecei a minha caminhada na direção que Toninho apontou. De longe eu já podia ver a fogueira e escutar o coro de vozes cantando alguma música brasileira. Eu não entendia nada, mas a melodia era boa. Um grupo maior estava em volta da fogueira e havia também pequenos grupos espalhados. Uns na água, uns casais sentados na areia um pouco mais distante em busca de privacidade. Toninho apareceu saindo do meio do grande grupo. Ele vestia uma camisa de botão estampada e uma bermuda branca. Todo mundo vestia bermudas ou shorts e eu não era diferente. Vestia uma bermuda cargo bege e uma camiseta azul clara.
- Você veio. – falou com um sorriso sincero.
- Disse que vinha. – Ele virou para os seus amigos e gritou algo. Como a única coisa que eu entendi foi meu nome no final da frase, deduzi que ele estava me apresentando. Eu ouvi algumas pessoas chamando meu nome de volta e acenando. Eu acenei em resposta e coloquei a caixa de isopor no chão. Havia muitos jovens. Alguns pareciam da idade de Toninho, alguns mais velhos. Muitos bebiam cerveja, outros tomavam algo em copos descartáveis que eu deduzi ser refrigerante, mas não tinha certeza.
- Eles estavam te dizendo oi.
- Eu percebi. Esse lugar é mesmo um paraíso.
- E você nem conheceu o restante. Você precisa fazer um passeio de barco. Você pode acertar com o próprio resort. Eu trabalho para uma pousada no centro e levo os hóspedes de lá para esse passeio pelos corais. Já a minha irmã faz o mesmo passeio por um restaurante local.
- Eu adoraria fazer isso com vocês. Acho que seria mais divertido do que sozinho pelo resort.
- Quando quiser. Oh! Falando na minha irmã, lá vem ela ali. Quanto você quer apostar que ela vai cheirar a minha bebida para ter certeza de que eu não estou tomando nada alcoólico. Embora ela nunca tenha me visto fazer isso.
Eu me virei para ver de quem ele estava falando e foi quando eu a vi. Aquela morena não podia ser real. Ela tinha longos cabelos, realmente muito longos, que esvoaçavam em volta do seu rosto pequeno. A medida que ela se aproximava eu consegui ver seus olhos pretos, muito pretos e ela sorria de um jeito que eu nunca vi mulher nenhuma sorrir. Não era só a sua boca, eram os olhos, a forma como seu rosto se iluminava e sua expressão corporal. Quando ela sorria todo o seu corpo sorria junto. Toninho estava falando algo, mas eu não estava mais ouvindo nada. Ela estava vindo na nossa direção e eu me sentia o cara mais sortudo do mundo.
Quando ela parou diante de nós, eu percebi como ela era pequena. Bem pequena quando comparada a maioria das pessoas, mas principalmente em comparação comigo. Eu era enorme perto dela e se eu pudesse tocá-la eu ainda temeria quebra-la de alguma forma.
Ela olhou pro irmão, que eu achava pequeno, mas que já era maior que ela e sorriu ainda mais. Ela disse algo como Hey ou Oi, Ai, foi alguma forma de cumprimento com o irmão e em seguida pegou o copo da sua mão e cheirou arrancando dele uma gargalhada. – Eu te disse que ela faria exatamente isso – ele me disse. Drew, esta é a minha irmã, Helena. Leninha, este aqui é o meu mais novo amigo, Drew. Eu te falei dele.
- Sim. Oi Drew. É muito bom te conhecer. – Oh! Meu Deus. Ela falava a minha língua. Isso era apenas bom demais pra ser verdade.
- Hey, Helena, é muito bom te conhecer também.
- Espero que o meu irmão não esteja te perseguindo. Ele é apaixonado por futebol americano e eu sei que você é um jogador profissional.
- Sim, eu sou. Mas ele não está me incomodando não. Toninho é uma excelente companhia.
- Fico feliz então.
Um cara se aproximou e a abraçou por trás. Ela apenas riu e se virou para falar com ele. Era em momentos como esses que eu odiava não entender nada do que eles conversavam. Ela se desculpou e seguiu entre as pessoas cumprimentando cada um dos presentes. O cara que a havia abraçado e levado para longe de mim, entregou-lhe um copo descartável com refrigerante e ela se sentou perto do cara com violão. Eu não gostei disso. Não gostei das mãos daquele cara sobre ela e não gostei da forma como ela foi embora com ele sem pensar duas vezes.
Certo! Eu estava ficando louco. – É namorado dela?
- Quem? Marquinhos? Bem que ele queria. Mas Helena não namora com ninguém – Isso tanto me aliviou como me intrigou.
- Com ninguém?
- É, nós temos planos. Queremos estudar.
- Ah! A bolsa que você tentou no meu país.
- Sim. Estamos os dois a tentar. Eu nunca vi a minha irmã se interessar por ninguém.
- Ninguém mesmo. Nem de fora. Tipo, de onde eu venho.
- De modo algum. Helena jamais namoraria um gringo.
- Gringo? – perguntei, ciente de que a pronúncia saiu péssima.
- Sim, é como chamamos as pessoas de fora. Ela jamais namoraria um gringo. Vocês vêm para se divertir apenas e Helena não é uma menina de diversão. Depois vocês vão embora e ela fica na boca do povo da cidade. Não, definitivamente ela jamais namoraria um gringo.
Hum, isso não era uma boa notícia. Mas, pelo menos, para o meu consolo, ela também não namora um nativo. Já é um começo. Que merda eu estou pensando? Eu também não estou aqui para namorar.
Eu fiquei ali, observando ela interagir com os locais. Ela estava se divertindo. Mas, de vez em quando os nossos olhares se encontravam e algo acontecia dentro de mim. Do mesmo modo eu podia dizer que acontecia com ela. A maneira como ela desviava o olhar, como ela olhava pra mim quando pensava que eu não estava observando. O modo como sua respiração mudava quando não resistíamos e nos olhávamos mesmo.
Deus! Ela era linda. Linda de um modo totalmente singular. Eu a queria pra mim. Eu queria tocá-la e beijá-la e... – Drew – Toninho me tirou dos meus devaneios. – experimenta o peixe.
- Oh! Obrigada. – O garoto me entregou um pedaço de peixe em uma folha de papel alumínio e eu experimentei. Era uma delícia. Em toda a minha vida eu nunca tinha comido um peixe tão bom. Não parecia ter nada de muito requintado nele, era só peixe, mas preparado de um jeito que desmanchava na boca. Também senti um gosto de limão. – Uau! Isso é incrível.
Eu comi todo o peixe em questão de minuto e dei um bom gole na minha cerveja. Então eu procurei seus olhos novamente e me decepcionei ao descobrir que ela já havia me esquecido. Estava em uma conversa empolgada com o cara que a havia levado de mim.
O cara do violão começou a falar algo e Toninho riu – O que?
- Esse é o momento que eles pedem pra ela cantar. Sempre acontece.
- Oh! Ela canta?
- Sim. Canta muito bem. Mas não diga que eu disse isso. Para todos os efeitos eu acho ela uma péssima cantora.
- Oh! Isso deve ser algum tipo de implicância de irmão mais novo?
- Definitivamente sim.







