Sexta-feira, 22 de novembro — 6h30.
Acordo antes do alarme. De novo.
Virou rotina: acordar com o coração acelerado, o enjoo rondando, e a sensação de que minha vida tá escapando do controle.
Hoje é o dia.
DNA.
Verdade.
Não tem mais volta.
Levanto devagar. O enjoo vem, mas não tão forte. Como se meu corpo tivesse acostumado com a guerra interna.
Vou pro banheiro. Tomo banho gelado. Escovo os dentes duas vezes.
Olho no espelho.
A mulher que me olha de volta não parece a Lavínia de um mês atrás. Aquela que foi na entrevista cheia de esperança e medo controlado.
Essa aqui tem olheiras fundas. Rosto mais magro. Olhar cansado.
Mas também tem algo novo: determinação.
Visto calça jeans escura e uma blusa de manga comprida preta. Nada chamativo. Nada que marque.
Prendo o cabelo num rabo de cavalo simples.
Pego a bolsa.
Quando saio do quarto, Sueli já tá na cozinha. Ela olha pra mim.
— Hoje?
— Hoje.
Ela vem até mim. Segura meu rosto com as duas mãos. Beija minha testa.
— Vai. E volta inteira.
E