POV: Lavínia
O cartório no centro de São Paulo tem cheiro de papel velho, umidade e café requentado.
Augusto Romano, o homem que aprova fusões bilionárias no topo de arranha-céus espelhados, está encostado numa parede de fórmica descascada.
Ele veste um terno sob medida cinza-chumbo. Mas o colarinho da camisa branca está aberto. A gravata de seda que a minha mãe obrigou ele a colocar antes de sairmos de casa não sobreviveu à descida do elevador da cobertura. Ele a arrancou no segundo an