O amanhecer trouxe uma brisa leve e o canto suave dos pássaros entre as árvores. Na fazenda, tudo seguia como sempre — o gado sendo levado pro pasto, o rangido do portão, o cheiro de café fresco vindo da cozinha. Mas dentro de Isabella, havia uma quietude estranha, uma sensação de que algo se aproximava.
Nos últimos dias, ela tentava se ocupar ao máximo. Ajudava o avô com o curral, organizava o celeiro, cuidava das plantas do jardim. Qualquer coisa para não pensar. Mas era inútil. Tudo a lembrava dele. O violão encostado no canto, o banco onde ele costumava se sentar, até o velho rádio parecia guardar o eco da voz de Rafael. Seu Anselmo observava a neta em silêncio, sabendo que o coração dela travava uma luta que o tempo, sozinho, não curaria.
Numa manhã, enquanto ela limpava o cocho das vacas, ele se aproximou devagar.
— Você anda calada demais, Isa. — a voz dele era mansa, mas firme — O silêncio da gente fala mais do que mil palavras, às vezes.
Ela parou o que fazia e olhou pro chã