“Não há estratégias perfeitas quando o coração já escolheu um lado.”
Elena Rossi
A noite sempre demora mais para passar em hospitais.
O relógio de parede marcava um horário indecente, daqueles em que metade da cidade já está dormindo e a outra metade finge que não está cansada. No San Michelle di Firenze, porém, ninguém fingia nada. Enfermeiras atravessavam o corredor com passos calculados, médicos conferiam prontuários com olhos cansados, e máquinas piscavam luzes que pareciam pequenos planetas tentando se manter acesos.
Sofia dormia e esse era o milagre da vez.
Ela estava deitada de lado, com o urso Mel encaixado entre os braços, e a touca de panda aquecia sua cabeça, alguns fios ruivos, já surgiam o que deixava tanto Elena quanto ela animadas.
Os exames da tarde tinham sido bons, estava sem febre há dois dias, e a médica saiu do quarto com aquele sorriso contido que aprendeu a ter para não prometer o que não podia garantir. Tudo indicava que a alta estava próxima e o pesadelo de t