“O que irrita é sempre o que importa.”
Elena Rossi
A cena na cama veio inteira, sem pedir permissão, sem aviso e sem pudor.
A noite em que ele dormiu no meu quarto. O peso do corpo grande no colchão, o perfume amadeirado que se infiltrou no travesseiro como se tivesse a intenção de permanecer, a respiração quente que roçava a minha nuca, e aquele toque firme na cintura, não de quem toma, mas de quem segura. Segurar é mais íntimo do que tomar, e eu só entendi isso depois.
Fechei os olhos por um instante.
O corpo reagiu antes da moralidade se pronunciar. Sempre é assim: o corpo não espera autorização. Um aperto quente no estômago, um arrepio subindo pela coluna, um calor surgindo no meio das pernas que me fez morder o lábio antes de lembrar que estava num hospital e que nada ali combinava com esse tipo de lembrança.
Meu corpo ainda queria o toque dele.
Meu corpo não tinha vergonha de admitir. Minha cabeça, sim. Minha cabeça sempre quer ser racional, estratégica, madura… e falha miserave