“Ninguém teme o que deseja. Exceto quando sabe que deseja a exceção.”
Ele finalmente a encarou por um pouco mais de tempo. A irritação com a própria memória, com o próprio corpo e com Elena misturou tudo.
— Hoje? — perguntou, devolvendo a provocação. — Hoje eu quero algo simples.
Ela passou a ponta da língua pelos lábios, um gesto rápido que não foi acidental.
— Simples como o quê?
— Como beber em silêncio. — respondeu, e tomou outro gole.
O sorriso dela vacilou por meio segundo, logo retomando a forma.
— Você trabalha com o quê? — não desistiu, mudando de campo.
— Negócios. — respondeu.
— Negócios do quê? — insistiu, inclinando-se um pouco mais.
Ele respirou fundo, o ar inflando o peito sob a camisa social.
— Dos que não cabem em respostas curtas. — cortou, com uma ponta de ironia.
Ela riu, e dessa vez inclinou o rosto para o lado, estudando-o.
— E está sozinho porque…? — a pergunta veio com uma ponta de curiosidade real.
Damian pousou o copo, apoiando os dedos fortes no cristal.
— P