“Alguns homens dizem com gestos o que não sabem dizer com a voz.”
Pare. Não diga “bem”. Não finja pra ela.
— Cansada. — completei.
— Física ou emocional?
— As duas coisas. — admiti.
Ela assentiu, como quem já esperava.
— E você dormiu?
— Um pouco.
— Um pouco quanto?
— Três horas. — respondi, sem precisar contar. Meu corpo guardava o número com rancor.
Beatrice inclinou a cabeça, analisando minha expressão, meu tom, meu ombro tenso.
— Você ficou acordada ouvindo a respiração dela, não ficou?
Olhei para as próprias mãos. Sempre que fico desconfortável, mexo nos dedos. Passei o polegar sobre a marca clara do anel que não uso mais. O anel que pertenceu a minha mãe, e que tive que vender para pagar o tratamento de Sofia.
— Fiquei.
— Quantas vezes você já fez isso na vida?
— Desde que ela nasceu. — respondi. — Só mudou o cenário.
Beatrice sorriu de canto.
— Agora tem equipe médica, monitores, exames diários e uma porção de tecnologia te ajudando. — enumerou. — E ainda assim você não confia