“Alguns homens aparecem mesmo quando não chegam.”
Elena Rossi
O quarto parecia maior quando a porta finalmente se fechou atrás da última enfermeira. O silêncio tomou conta do quarto por apenas uns segundos. Por um instante eu pude ouvir o som da respiração de Sofia como quem reencontra uma música que quase esqueceu como se canta.
Ela estava sentada no meio do tapete azul-claro, com o ursinho “mel” entre os braços, olhando para o castelo iluminado como se tentasse memorizar cada lâmpada de estrela individualmente, como se um dia precisasse relatar tudo com exatidão.
— Lena… dá pra ficar acordada até mais tarde hoje? — perguntou, sem tirar os olhos do castelo.
Sorri ao me aproximar.
— Hoje pode. — respondi. — Hoje é um desses dias em que as regras não sabem onde dormir.
Ela riu, aquele riso que sempre trouxe luz, até nos dias mais sombrios da minha vida. Depois virou para mim e levantou os braços num pedido silencioso que eu conhecia antes mesmo dela nascer.
Peguei Sofia no colo com c