“O desejo não nasce no toque. Ele nasce no esforço de não tocar.”
O setor em que Sofia passou as últimas semanas estava diferente naquela manhã, não apenas mais claro ou mais movimentado, mas vivo de um jeito que Elena não lembrava de ter visto antes. O corredor que antes era marcado por passos cuidadosos e vozes baixas agora vibrava com uma alegria quase indisciplinada, como se o próprio hospital tivesse relaxado os ombros depois de um longo período de contenção.
As enfermeiras sorriam sem disfarçar, algumas passavam apressadas com prontuários debaixo do braço, outras paravam por segundos a mais do que o permitido apenas para olhar para dentro do quarto que mais parecia um conto de fadas e confirmar, mais uma vez, que aquela garotinha tinha mesmo vencido.
As médicas falavam animadas perto do balcão, trocando comentários técnicos misturados a pequenas comemorações pessoais, porque havia casos que deixavam marcas, e Sofia era um deles.
— Finalmente. — murmurou uma enfermeira, como que