Mundo de ficçãoIniciar sessão"Certo, sem pressa. Primeiro vou cuidar do meu trabalho. Tenho uma entrevista esta manhã", respondeu Fiorella suavemente.
"Certo, boa sorte então, estou ocupado!"
"Ok, tchau."
Quando o elevador chegou ao primeiro andar, Fiorella acenou educadamente para Julio. Ao ver Jean Carlo, ela estremeceu repentinamente, desviou o olhar e se virou para sair.
As portas do elevador se fecharam e ele continuou a descer.
Julio olhou para o chefe ao seu lado: "Essa é a mãe do menino que se perdeu ontem."
Jean Carlo respondeu seco: "O que isso tem a ver comigo?"
Julio sentiu um arrepio percorrer a espinha e disse rapidamente: "Não, está tudo bem."
Quando o carro de Jean Carlo chegou ao quartel dos bombeiros, o antigo superior de seu irmão já o aguardava do lado de fora.
Após os dois se cumprimentarem e trocarem alguns palavras, o comandante conduziu Jean Carlo até o alojamento.
"Sr. Vans, este era o quarto de Yan. Todos os pertences dele foram organizados e estão aqui."
Ao ver as coisas do irmão, o coração forte de Jean Carlo não pôde deixar de estremecer.
"Posso ficar aqui sozinho por um momento?", pediu ele ao comandante.
"Claro." O comandante compreendeu o que ele sentia e saiu imediatamente com os demais.
Julio também se retirou em silêncio.
Jean Carlo sentou-se na beira da cama, olhando ao redor do quarto limpo e arrumado, passando a mão pela colcha dobrada com perfeição militar, os olhos marejando novamente.
Havia uma caixa sobre a mesa. Jean Carlo a pegou e abriu.
Dentro havia alguns objetos pessoais, medalhas e certificados de honra.
Ele os folheou um por um, o coração ficando cada vez mais pesado a cada página.
Ao chegar ao último documento, algo chamou sua atenção.
Jean Carlo fixou os olhos na "Notificação de Qualificação para Doação de Esperma", franzindo a testa.
Quando Yan doou esperma?
Tomado de surpresa e dúvida, ele examinou o documento atentamente e descobriu que o irmão havia se tornado doador no Banco de Esperma quatro anos atrás.
Por que ele teria feito isso?
Jean Carlo ficou perplexo, mas aquilo não era o ponto principal.
O que realmente o fez parar foi a lembrança do que Julio havia dito no dia anterior: se Estefania soubesse que tinha um neto, com certeza recuperaria a vontade de viver.
Com esse pensamento, Jean Carlo se levantou, pegou os pertences do irmão e saiu do quartel.
Já dentro do carro, ligou para a amiga Maira.
"Jean Carlo! E aí?"
"Você está no hospital? Já vou até você."
Maira era uma renomada especialista em reprodução em San Pedro, referência no tratamento de infertilidade — carinhosamente chamada pelas pacientes de "Fada da Fertilidade".
"Oi? Você vai ter um bebê?" Maira exclamou, surpresa.
"Não estou com humor para brincadeiras."
Ela percebeu o tom e ficou séria: "Então por que vem até mim? O problema da dona Estefania é emocional — só você, como filho, pode estar perto dela e oferecer apoio."
"Não tem nada a ver com ela. A gente conversa quando eu chegar."
Meia hora depois, Jean Carlo chegou ao hospital onde Maira trabalhava.
Quando se encontraram, ela logo notou que ele havia emagrecido muito nos últimos dias e insistiu para que cuidasse melhor de si mesmo.
Jean Carlo respondeu com poucas palavras e entregou a notificação de doação de esperma do irmão.
"Veja isso."
Maira leu com atenção e também ficou surpresa, mas logo entendeu.
"Nos últimos anos, a taxa de infertilidade aumentou muito em San Pedro, e tem sido feita uma campanha incentivando bombeiros e universitários a doarem. Imagino que o Yan tenha respondido a esse apelo."
"Sim, fiquei sabendo agora."
Maira perguntou, confusa: "Então, o que você quer dizer com isso?"
Jean Carlo franziu a testa e fez uma pausa antes de responder: "A dona Estefania está inconsolável, e a saúde dela piora a cada dia. Por mais que a gente tente, nada adianta. Mas se o Yan tivesse deixado um filho para dar continuidade à família..."
"O que você está pensando!" Maira o interrompeu. "A doação de esperma segue o princípio do sigilo absoluto. Mesmo que o material ainda esteja armazenado e tenha sido utilizado, as normas proíbem investigar a identidade do doador — e muito menos contatar quem quer que seja."
"Eu sei. Mas mesmo assim quero que você verifique. Se essa criança existir, mesmo que seja só uma foto para mostrar à dona Estefania, já seria o suficiente para animá-la."
"Jean Carlo, eu entendo o que você está sentindo, mas..."
Ele não tinha paciência para rodeios. Levantou-se e perguntou diretamente: "Você me ajuda ou não? Se não, vou encontrar outro jeito."
Como advogado, não seria difícil para ele conduzir uma investigação por conta própria.
Maira sabia que a decisão do amigo não mudaria. Suspirou e cedeu: "Tudo bem. Eu te ajudo."
Jean Carlo se virou para sair, mas Maira se lembrou de algo.
"Ah, espera! Você se lembra de quando eu era estagiária e te convenci a também doar esperma?"
A expressão de Jean Carlo congelou.
Maira continuou: "O que quero dizer é — se você quer que a dona Estefania tenha um motivo para seguir em frente, por que não se apressa, casa e tem filhos? Para que toda essa trabalheira de vasculhar o banco de esperma?"
"O meu filho e o filho do Yan são coisas completamente diferentes."
"Tudo bem, entendi."
Jean Carlo saiu. Maira murmurou pensativa: "Quem sabe o filho dele já não tem idade para fazer recados..."
....
Fiorella conseguiu o emprego com surpreendente facilidade.
Afinal, sua competência falava por si só.
Em meio a um grupo de candidatos, ela identificou e corrigiu uma vulnerabilidade crítica num sistema com uma agilidade muito superior à de todos os outros, arrancando elogios dos recrutadores.
Além disso, era bonita — o que a tornava ainda mais rara naquele ramo — e foi contratada na hora, com início previsto para a segunda-feira seguinte.
No caminho de volta ao hospital, Fiorella estava de bom humor.
Quis ligar para os pais para compartilhar a novidade, mas assim que pegou o celular, o sorriso congelou no rosto.
Para que contar?
Com certeza o Arnaldo diria: "A essa hora, ainda procurando emprego? Não devia estar tentando salvar o seu casamento?"
Deixou o pensamento de lado e enviou a boa notícia para a Maira no Chat.
Meia hora depois, quando já estava quase chegando ao hospital, Maira respondeu com um áudio.
"Que ótimo! Eu sabia que você ia se virar bem!"
O entusiasmo genuíno da amiga a fez sorrir.
O celular tocou — era o smartwatch do Ben.
Ela atendeu na hora: "Meu amor, a mamãe está aqui embaixo comprando o seu almoço. Já já chego aí."
Do outro lado, Ben disse confuso: "Mamãe, uma moça veio aqui e trouxe um monte de coisa pra mim."
"Uma moça?" Fiorella perguntou, intrigada.
"É. Ela falou que o sobrenome dela é Bronjin."
Bronjin? Gabriela Bronjin?
A expressão de Fiorella mudou drasticamente. Sem esperar que o atendente terminasse de embalar a comida, ela se virou e subiu as escadas correndo.
No quarto do hospital, a babá Dona Rosa estava com Ben.
Ela olhou com evidente desconforto para a jovem elegantemente vestida à sua frente, que exalava um perfume forte e enjoativo.
"Ben, a titia fez esses docinhos especialmente pra você. Experimenta, são uma delícia."
Gabriela Bronjin, com suas mãos longas e bem cuidadas, segurou um doce e o estendeu para Ben.
"Não precisa, obrigado. Mamãe disse que eu não aceito nada de estranhos." Ben desviou e recusou.
"A titia não é estranha — ela é colega dos seus pais."
Gabriela insistiu em alimentá-lo.
Mas quando ela se aproximou, o perfume forte irritou o nariz sensível do menino.
Ben sentiu um formigamento, abriu a boca e espirrou com força, espalhando tudo pelo doce.
Dona Rosa não se conteve e deu um passo à frente: "Se a criança não quer, não force. O almoço já vai chegar."
Gabriela se virou e repreendeu com frieza: "Quem perguntou a sua opinião? Fique no seu lugar."
Ela voltou a se inclinar em direção a Ben quando a porta do quarto se abriu de repente e Fiorella entrou como um furacão.
Gabriela se virou ao ouvir os passos e abriu um sorriso calculado: "Fiorella! Que bom que você veio. Fiquei sabendo que o Ben estava internado e vim te dar apoio."
Antes que ela terminasse a frase, Fiorella arrancou o doce de sua mão, segurou sua cabeça pela nuca com a outra e enfiou o doce inteiro na boca dela.
"Hum-hum!"
Gabriela foi completamente pega de surpresa. Fechou a boca por instinto e tentou cuspir.
Tinha catarro de criança nesse doce.







