CAPÍTULO 7 – O CASAMENTO

O salão principal estava elegantemente organizado, com cadeiras dispostas e o juiz esperando. Poucas pessoas — cerca de uma dúzia. O ambiente era sofisticado, mas a tensão no ar era sufocante.

Lucie caminhou até o altar ao lado de Leon, sentindo o peso de cada passo. Ele não a olhava nos olhos. Parecia ainda irritado com a discussão anterior. Ela, por sua vez, analisava-o discretamente. Leon era o tipo de homem acostumado a mandar, nunca a pedir. Tudo o que queria, conseguia com um estalar de dedos. Isso a aterrorizava.

“Será que sou um castigo imposto pelo pai dele? Minha vida vai ser um inferno pior do que imaginei”, pensou, sentindo um calafrio.

Durante os votos, a voz dele era firme, controlada. Quando trocaram as alianças, Lucie se surpreendeu: o anel serviu perfeitamente. Como ele sabia o tamanho exato? Assim como o novo vestido — elegante, rendado, exatamente o estilo que ela gostava. Ele parecia conhecê-la bem demais para alguém que nunca tinham se encontrado antes.

— Pode beijar a noiva! — declarou o juiz.

Lucie congelou. Era real. Ela estava casada com um desconhecido.

Leon segurou seu rosto com firmeza, uma mão em sua cintura. Seus olhos azuis encontraram os dela por um segundo — intensos, famintos. Então ele a puxou e a beijou.

Não foi um beijo casto. Foi profundo, possessivo, avassalador. Seus lábios dominaram os dela com urgência, como se estivesse se contendo desde o momento em que a vira. Lucie, que nunca havia beijado ninguém, sentiu o mundo girar. O corpo dele pressionado contra o seu, o calor, o gosto dele... Era errado, perigoso, mas seu corpo traía a mente. Um calor traiçoeiro subiu por sua barriga.

Quando ele se afastou devagar, Lucie estava zonza, os lábios entreabertos e os olhos fixos na boca dele. Leon percebeu. Um sorriso lento e diabólico curvou seus lábios. Ele inalou discretamente perto de seu pescoço, captando mais uma vez aquela essência doce e natural dela. Seu maxilar tensionou. Aquela fragrância o afetava de forma visceral, mexendo com algo primal que ele não conseguia ignorar.

— Mon Dieu, femme... — murmurou ele, só para ela. — Você destrói um homem com esse olhar.

Enquanto posavam para as fotos, Leon a abraçou por trás, o corpo colado ao dela. Sussurrou em seu ouvido, voz rouca e sensual:

— Ainda está aborrecida comigo, esposa? Ou já me perdoou?

Lucie corou intensamente. Antes que pudesse responder, uma mulher vestida de vermelho invadiu o salão. Linda, curvilínea, dramática.

Ela se jogou no pescoço de Leon, chorando:

— Leon! Como você pôde? Você é meu! Eu nunca vou aceitar te perder!

O clima ficou gelado. Maxime e Dona Laurent demonstraram clara hostilidade. Leon tentou se livrar dela, irritado:

— Chega, Charlotte. Acabou. Saia.

Mas Charlotte se virou para Lucie com ódio puro:

— Você trocou por essa garotinha? Ela nem parece uma mulher! Eu sim, eu sou a mulher que nasceu pra você!

A ex-amante avançou, mas Leon a segurou. Charlotte ainda conseguiu dar um beijo atrevido na boca dele antes de ser arrastada para fora pelos seguranças, cuspindo veneno:

— Esse casamento não vai durar nem duas noites. Você vai voltar pra mim, Leon. Ela é só um passatempo!

O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Kassiani, furiosa, não se conteve:

— Quanta falta de respeito com a minha menina! Deveria controlar suas ex-amantes antes de humilhar Lucie!

Leon, para surpresa de todos, baixou a cabeça ligeiramente.

— Desculpe, Kassiani. Isso não vai se repetir.

Enquanto os convidados tentavam voltar ao normal, Leon apertou a mão de Lucie com força. Seus olhos encontraram os dela novamente — aquele olhar elétrico, carregado de desejo contido e possessividade. Ele se inclinou, roçando os lábios em sua orelha:

— Você é minha esposa agora, Lucie. E eu cuido do que é meu. Ninguém mais vai te humilhar. Nem ela... nem ninguém eu juro!

A voz dele era baixa, rouca, prometendo proteção e perigo ao mesmo tempo. Lucie sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O beijo ainda queimava em seus lábios. O cheiro dele, o toque, o jeito como ele reagia à presença dela... tudo era intenso demais.

Ela não entendia por que seu corpo respondia daquela forma. Nem por que os olhos dele pareciam escurecer sempre que se aproximava dela, como se lutasse contra uma atração irresistível.

Enquanto a festa continuava, Lucie percebeu que havia entrado em um jogo muito maior do que imaginava. Leon não era apenas controlador. Ele era obcecado. E algo nela — sua essência, seu olhar — mexia com ele de forma perigosa.

O Filho do Demônio agora era seu marido.

E a noite estava apenas começando.

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