Capítulo 5

Gael Dvorak

— Olá, meu filho. Como foi com os novos funcionários? — meu pai perguntou ao me ver saindo do carro e deixando para o motorista terminar de estacionar. Aquela expressão de moleque de Apollo se fez presente com o seu sorriso. Nem os cabelos grisalhos tiravam sua expressão de garoto travesso.

— Excelente. Pessoas muito competentes pelo que pude analisar — respondi e logo perguntei. — E como vocês estão, meu casal favorito?

— Entediados. — Meu pai respondeu sorrindo. — Estou tentando fazer sua mãe sair dessa casa, mas ela fica me mantendo prisioneiro.

— Então tenho a solução. Vamos jantar fora e depois fazer algo que a mamãe não pode saber. — Pisquei para ele.

— Gael! — minha mãe começou a tentar negar.

— Mãe, quero levar a senhora a um restaurante incrível. Não aceito não como resposta.

Abracei a minha mãe guiando-a pelo jardim. Ela acabou aceitando e a noite foi incrível. Família realmente é um bálsamo.

*

No dia seguinte à reunião, passei novamente pelo setor de design. E no outro e no outro. Já tinha a ficha da novata. Seu nome era Dominique Rodrigues e pelas fofocas, ela não tinha namorado. Era só o que eu precisava saber.

Eu não resisti quando me entregaram o novo batom na embalagem experimental.

Olhei o objeto sob a minha mesa enquanto pegava o telefone e discava o ramal do setor de design.

— Fred, mande a novata até a minha sala — ordenei.

— Sim senhor — ele não questionou o motivo.

Em menos de cinco minutos, a senhora Carter bateu na porta anunciando a chegada de Dominique.

Como ela conseguia ficar cada dia mais linda?

— Entre e sente-se, por favor! — disse a uma Dominique de expressão profissional.

— Com licença — ela disse ao se sentar. Sua voz é macia e seu cabelo preto e ondulado estava preso em um coque que eu desejei desfazer enquanto beijava seus lábios convidativos.

— Quero que experimente esse batom. — Apontei o objeto sobre a mesa. — Quero ver no público de verdade.

Ela estendeu a mão para pegar o batom, mas fui mais rápido. Peguei o objeto e me sentei na mesa.

Ela me olhou estranhando a minha atitude. Sua sobrancelha arqueada a deixava ainda mais bela.

Foi mais forte que eu. Simplesmente abri o batom e segurei o seu queixo. Ela fechou os olhos, como se adivinhasse minhas intenções, e quase cedi a vontade de provar dos seus lábios. Pela forma como respirava, senti que a afetava tanto quanto ela me afetava. Dominique era um perigo para mim. Nunca me envolvi com nenhuma funcionária da empresa — mesmo que minha regra só inclua quem reporta a mim —, mas ela me parecia um ótimo motivo para enfrentar um processo de assédio ou uma chantagem. Esse pensamento me fez lembrar de Guilhermina, com a qual transei algumas vezes, mas isso foi antes que ela começasse a trabalhar na empresa, quando eu era jovem e curioso. A contratação foi a desculpa perfeita para dar um basta na relação. Ela sempre foi linda e gostosa na cama, mas não passava de sexo. Ainda assim, vez ou outra tenho que recusar seus avanços.

Aproveitei cada milésimo de segundo enquanto passava o batom nos lábios de Dominique. Pude sentir um pouco da sua pele macia enquanto a segurava pelo queixo e cheguei a sentir uma corrente elétrica passando por todo meu corpo quando contornei seus lábios com o polegar, em busca de imperfeições.

Quando ela abriu os olhos, comentei:

— Essa cor ficou incrível em você.

Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente. E ao fechar, mordeu o lábio inferior distraidamente. Já a vi fazendo isso em vários momentos. Suspeito que era um movimento involuntário quando estava nervosa.

Para não deixá-la ainda mais desconfortável, completei:

— Obrigado por me ajudar a fazer esse teste. Gosto de ver como os produtos ficam de perto. A chamei para que você conheça um pouco mais sobre como trabalho é feito.

— Foi um prazer ajudar — sua voz saiu baixa.

— Leve esse kit e faça um teste em suas amigas. Gostaria de saber algumas opiniões — eu já tinha feito experimentos em várias modelos, mas não importava. Queria saber a opinião dela.

Ela pegou o kit.

— Claro, senhor Dvorak. Para quando o senhor deseja?

— Próxima segunda, por favor. — Voltei para minha cadeira e sentei. — Pode ir. Segunda feira entro em contato para saber o resultado. — A dispensei. Ela era muito atraente. Se ficasse mais tempo com ela poderia fazer alguma besteira. Algo como um assédio total. Passar o batom na sua boca poderia ser justificado que eu estava seguindo os passos do comercial de lançamento, que era muito parecido com o que fiz, mas se ela continuasse diante de mim, nada justificaria meus próximos atos.

Ela se foi, deixando a sala mais fria que de costume.

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