Mundo ficciónIniciar sesiónDominique Rodrigues
Sexta feira, fim de expediente. Suspirei quando vi meus colegas começando a guardarem suas coisas. Já estava acostumada com o trabalho. Conhecia vários colegas e gostava da maioria deles.
— Hoje vamos comemorar! Você está intimada, novata — meu chefe falou todo animado.
— Não posso. Tenho compromisso. Se tivesse falado antes — menti. Sabia bem quanto tinha na minha carteira e quanto tinha no banco. Se eles fossem do tipo que vão em lugares caros, eu poderia passar apertado o resto do mês.
— Que compromisso é mais importante que beber com seu chefe e colegas? — Rafael, o outro novato, brincou.
— Compromisso de família. Aniversário da minha mãe — improvisei. Espero que mamãe me perdoe por envelhecê-la um pouco antes da hora. Falta meses para o seu aniversário.
— Ahh! — ouvi vários dizer.
— Isso é algo pelo qual podemos te perdoar, mas na próxima não vai poder fugir.
— Comemorem a chegada do Rafael e na próxima comemoremos a minha chegada — falei já saindo pelas portas. — Até segunda. Divirtam-se!
Dessa vez sai um pouco depois de Ayla e Rubia. O meu chefe tinha nos pedido para ficar um pouco mais e concluirmos uma parte do trabalho que estava no fim. Quem sou eu para negar hora extra!? Por mim dormiria na empresa.
Fui até o metrô pensando em como seria se eu tivesse condições financeiras de sair com meus colegas. Quase passei da minha estação viajando em pensamentos. Pensamentos esses que logo se desviaram para um dos donos da empresa, Gael. Um suspiro escapa de mim sempre que penso nele. Que homem! Que poder Gael Dvorak tem sobre mim que me deixa até fora de órbita quando o vejo? Um homem poderoso não só na questão financeira ou na voz, seu corpo também se mostra incrível mesmo sob as roupas. Os cabelos curtos e bem colocados, como se estivessem com gel, mas que balançavam ao vento. Os olhos de uma cor que não sei nem definir. Quase cinza. Todos os trigêmeos Dvorak tinham os olhos dessa cor.
Já chegando perto da pensão, vi um bar quase vazio. Eu já o tinha visto, era o tipo de lugar frequentado por pessoas em baixa condições financeiras. Minha boca salivava de vontade de uma cerveja bem gelada. Tanto que meu corpo tomou o comando e me levou para dentro do bar. Fazia alguns meses que não bebia. Agora que estou trabalhando já coloquei na lista que a primeira coisa que vou comprar depois de alugar um apartamento é uma geladeira e vou encher de bebidas para beber quando quiser. Não sou alcoólatra, só que não existe nada melhor que uma cerveja estupidamente gelada ao fim de uma tarde de sexta.
Disposta a beber apenas uma cerveja e ir dormir, me sentei no balcão. A garçonete de peitos enormes que saltavam do decote, colocou a cerveja e um copo na minha frente e a abriu derramando parte do líquido no copo.
Quase passei a língua nos lábios enquanto olhava a espuma subir.
Bebi devagar pensando em tudo que aconteceu naquela semana. Eu que achei que não teria nenhum contato direto com os donos da empresa, estive com o Gael Dvorak todos os dias.
Só de pensar nele cruzei as pernas com mais força, excitada. Era assim que ele me deixou todos os poucos dias em que trabalhei em sua presença.
Ele dizia que queria acompanhar de perto o desenvolvimento do design do novo produto, mas acho que isso não incluía experimentar o batom da nova coleção Dvorak em meus lábios. Muito menos de forma tão sedutora. Meu Deus, como foi intenso sentir suas mãos em minha pele! A todo momento me pego lembrando daquele momento. Fui flagrada umas duas vezes tocando meus lábios com uma expressão sonhadora. Graças aos deuses que foi na pensão, então pude inventar a desculpa ridícula de que mordi o lábio sem querer. Quem convivia comigo percebia que eu mordia o lábio constantemente, quando estava nervosa, pensativa, então essa desculpa nem era tão ridícula assim.
A minha queda por Gael era algo nítido. Só espero que ele não tenha notado. Não quero parecer tão fácil e desesperada, muito menos interesseira.
A lembrança daquele momento em sua sala me fez beber o líquido com mais rapidez. Logo estava no segundo copo.
Meu corpo todo estava em alerta antes mesmo que eu terminasse o segundo copo. Isso sempre acontecia. Eu sou fraca para o álcool e sempre fico com tesão na primeira cerveja. Antes de ficar bêbada, fico sexualmente em alerta.
Com medo de beber mais e terminar na cama de um qualquer, terminei o copo, paguei e voltei ao meu caminho.
Estava quase chegando a pensão quando um carro parou ao meu lado.
Os vidros escuros desceram revelando o rosto de Gael Dvorak com aquela expressão de superioridade que me irritava e excitava ao mesmo tempo. Fala sério! É muito azar encontrar ele aqui. Afinal, o que esse homem faz no meu bairro, pelo amor?
— Mini, está perdida? Quer uma carona? — ele disse usando um apelido derivado do meu nome.
Deus, me ajuda a dizer simplesmente que eu moro perto. Sei que se entrar nesse carro e ele não tentar me seduzir, eu irei. Do jeito que estou sou capaz de sentar em seu colo e me esfregar em seu corpo.
— Não quero atrapalhar. Apesar de que esses saltos estão me matando — falei. Pude sentir que a minha voz estava diferente. Forçadamente sensual.
Cala a boca, sua burra! Você está bêbada e tentando seduzir o seu chefe.







