O beijo na varanda, sob a luz gélida da lua londrina, fora um erro estratégico de proporções catastróficas. Ou, pelo menos, era essa a tese que Arthur Valla defendia diante do tribunal de sua própria consciência enquanto observava Lara na manhã seguinte.
O cenário era o salão de música, um recinto onde a acústica era perfeita para notas de Mozart, mas cruel para discussões carregadas de subtexto. O sol de inverno entrava pelas janelas altas, iluminando partículas de poeira que pareciam estática