O senhor William não insiste. Apenas pede que eu tome o remédio. Eu tomo, em silêncio, e seguimos viagem.
Tento fingir que ele não está ao meu lado, mas é impossível. Sua presença ocupa todo o espaço.
Consigo ouvir sua respiração ritmada, sentir o calor do seu corpo tão próximo do meu, o cheiro amadeirado que me envolve e me deixa inquieta. É uma tortura silenciosa, lenta, que se instala sob a minha pele.
Quando o avião entra em uma turbulência inesperada, o medo fala mais alto que o bom senso. Meu corpo reage por instinto. Agarro a perna do senhor William com força, buscando apoio, como se ele fosse o único ponto firme naquele momento.
O contato é imediato. Intenso demais.
Percebo o que fiz no mesmo segundo e retiro a mão rapidamente, o coração disparado, o rosto ardendo de vergonha. O silêncio entre nós pesa mais do que a turbulência.
— Me desculpa… não foi a minha intenção — falo, a voz baixa, quase falhando.
Mas mesmo depois de afastar a mão, a sensação do toque permanece, viva,