KATHERINE
A chuva começou de um jeito quase discreto, um som leve contra o vidro que eu mal notei no início, porque a cidade já vinha escurecendo mais cedo naquele dia e o céu estava pesado desde a tarde, carregado de nuvens baixas que deixavam Detroit envolta em uma luz cinza, opaca, como se tudo lá fora tivesse perdido contorno. Em poucos minutos, aquele ruído suave se transformou em uma presença contínua, profunda, ocupando as janelas do apartamento, a varanda, o ar, o meu peito, até parecer