A madrugada de Eros Cavalcanti não foi habitada pelo sono, mas por um looping infernal de pixels e sombras. Ele passara as últimas dez horas trancado no escritório, a única luz vindo do monitor que exibia, em alta definição, a traição que ele jurara nunca mais permitir. Cada vez que ele olhava para a foto da mão de Dante Valez sobre a de Helena, uma parte do homem que começara a florescer nos últimos dias morria, sufocada por um gelo antigo e corrosivo. Ele via o sorriso contido de Helena e não