Abri a porta antes que pudesse pensar melhor.
Henrique estava ali.
Descalço, camisa escura parcialmente desabotoada, o cabelo bagunçado como se tivesse passado as mãos por ele vezes demais. Os olhos — aqueles olhos — estavam mais escuros do que nunca, carregados de uma tensão que espelhava exatamente a minha.
Por um segundo inteiro, nenhum de nós se moveu.
O corredor estava silencioso. O mundo parecia suspenso naquele espaço estreito entre nós.
— Eu tentei não vir — ele disse, baixo. A voz