Depois da mensagem de Henrique, eu não consegui mais me concentrar."Ela não sabe de nada."A frase ficou martelando na minha cabeça como se fosse um aviso. Ou uma ordem. Talvez as duas coisas.Passei o resto da manhã fingindo normalidade. Atendi ligações, respondi e-mails, organizei compromissos. Tudo no automático. Por dentro, eu estava em alerta — como se tivesse entrado em um jogo cujas regras eu desconhecia.No início da tarde, Henrique saiu para uma reunião externa. Antes de ir, parou na minha mesa.— Vou demorar — disse, sem me olhar diretamente. — Qualquer coisa urgente, me ligue.Assenti.Ele hesitou por um segundo. Só um.— Sofia… — começou, baixo.Levantei o olhar.— Sim?Ele pareceu reconsiderar. Endireitou o paletó.— Nada. Bom trabalho.E foi embora.Fiquei ali, encarando o espaço vazio onde ele estava segundos antes, com a sensação incômoda de que algo estava sendo empurrado para baixo do tapete. Algo que crescia em silêncio.---No fim do expediente, eu estava guardand
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