A madrugada não passava.
O quarto estava escuro, silencioso demais para esconder o barulho dos meus pensamentos. Eu me virava na cama, puxava o lençol, empurrava o travesseiro, como se mudar de posição pudesse calar o que ardia dentro de mim.
Não calava.
Tudo em que eu conseguia pensar era em Henrique no quarto ao lado.
Deitado.
Acordado.
Ou talvez dormindo — o que era ainda pior de imaginar.
O quase-beijo voltava em flashes curtos e cruéis. A proximidade. A respiração dele misturada à m