Narrado por Dmitri
O silêncio da madrugada é traiçoeiro. Ele embala como um véu pesado, mas basta uma fagulha para se romper em mil pedaços. E, naquela noite, foi o toque insistente do meu celular que rasgou a escuridão do quarto.
Peguei o aparelho com um reflexo quase automático, o coração marcando compasso firme no peito. O número era desconhecido, bloqueado. Normalmente, eu não atenderia. Mas meus instintos gritaram que eu devia.
— Dmitri Orlov — atendi com a voz baixa, grave, carregada de a