Narrado por Dmitri Volkov
A noite estava silenciosa quando voltei para casa.
Não o silêncio de antes da guerra, mas aquele que vem depois, pesado, lento, cheio de ecos do que acabou de acontecer.
Entrei pela porta principal devagar, como se qualquer barulho pudesse quebrar o que me restava de sanidade. Tirei o casaco sujo de sangue e deixei sobre a cadeira do hall. Meus passos ecoavam pelo corredor enquanto a adrenalina da execução começava a sair do meu corpo.
Quando abri a porta do quarto, ela estava lá.
Anya.
Dormindo profundamente, respirando devagar, o peito subindo e descendo num ritmo tão leve que quase parecia mentira que alguém tivesse tido coragem de tocá-la.
O abajur aceso deixava a pele dela dourada, e por um segundo, eu fiquei parado na porta… sem me mover. Só olhando.
Meu coração apertou.
Do jeito que só ela consegue fazer.
Me aproximei devagar, sem pressa nenhuma. Cada passo parecia um agradecimento por ela estar viva. Por eu ter chegado a tempo. Por ela não estar mais