Narrado por Dmitri Volkov
Os meses passaram como um borrão.
Depois do sequestro, depois da morte do Marcello, depois do sangue… parecia que a vida finalmente queria nos devolver alguma paz.
Anya começou a sorrir de novo.
A barriga cresceu, redonda, bonita, e cada vez que ela passava a mão ali, eu sentia algo dentro de mim apertar — um tipo de amor que eu nunca imaginei que fosse capaz de sentir.
A maternidade acalmou ela.
A paternidade me amoleceu.
E eu… eu aceitei isso com orgulho.
Foram meses de consultas, reformas no quarto, medos e conversas sussurradas à noite.
Ela ficava contando que imaginava o rostinho dele.
E eu ficava passando a mão na barriga repetindo:
Dmitri:
— Maksim… você vai ter tudo o que eu nunca tive.
E ela sorria, sempre.
Mas naquela madrugada, tudo que dormia dentro de mim acordou.
Acordei com um gemido baixinho.
No começo pensei que fosse sonho — mas o segundo veio mais alto.
Me levantei no mesmo instante.
Anya estava sentada na beira da cama, segurando a barriga