Noites que Matam

ANTONELLA

Eu queria correr direto para o hospital, mas Alessia não deixou.

E ela estava certa.

Eu não podia chegar na ala pediátrica de Moscou daquele jeito — com cheiro de bebida, o corpo marcado, e a roupa que eu tinha usado no clube da Bratva.

Por mais que meu peito estivesse entrando em colapso, eu precisava parecer a mãe da Lorena.

Entrei no banheiro do apartamento minúsculo onde estávamos e tomei um banho demorado, esfregando a pele como se conseguisse arrancar da alma a sujeira da noite.

Tirei a maquiagem borrada, o cheiro do Maksim, tudo.

Vesti uma roupa limpa — simples, mas decente.

Quando descemos para a rua gelada, o inverno russo cortou minha pele como navalha.

Chamamos um táxi pelo aplicativo.

Eu e Alessia tremíamos — de frio e de medo.

Eu segurava a bolsa com o dinheiro, mas ainda faltava muito para pagar o procedimento da Lorena.

Alessia: Vai ficar tudo bem, Antonella. A gente não tem o valor completo, mas nós vamos dar um jeito.

Antonella: Eu tô com tanto medo… Esse di
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