Narrado por Anya Petrova
A ilha acendia luz por luz quando deixamos a suíte. O motorista nos levou por ruas estreitas até um penhasco branco, onde um restaurante se equilibrava sobre o mar como se tivesse sido pendurado pelos próprios deuses. Lanternas de vidro tremeluziam nas varandas; o som distante de um bouzouki desenhava uma melodia que o vento tratava com cuidado.
O maître nos conduziu por uma escada externa até o terraço reservado. Uma mesa para dois, guardanapos de linho, louça azul-cobalto, uma vista que mordia o fôlego. O Egeu, agora violeta, respirava lá embaixo. Sentei-me e passei os dedos pela borda fria do prato, tentando memorizar aquele instante.
Dmitri: — Gosta?
Anya: — Parece que alguém pegou um pedaço de céu e serviu no prato.
Ele sorriu, gesto raro e sem cinismo. O garçom trouxe água e um vinho branco de Santorini; em seguida, pão quente, azeite verde, sal em flocos.
Dmitri: — Brindamos?
Anya: — A quê?
Dmitri: — Àquilo que você disse de manhã: estar mais viv