Antonella
A viagem para fora de Moscou foi silenciosa e tranquila. À medida que deixávamos a cidade para trás, os prédios altos davam lugar a estradas largas, cercadas por árvores altas e cobertas por um fino manto branco. O frio era diferente ali — mais limpo, mais profundo. Um frio que entrava nos ossos, mas que, de alguma forma, também acalmava.
Lorena dormiu quase todo o caminho. Encolhida no banco, abraçada ao casaco grosso, respirava tranquila. Quando o carro finalmente parou diante da casa, ela abriu os olhos por alguns segundos e ficou em silêncio, observando tudo pela janela.
— Uau… — murmurou, antes de fechar os olhos novamente.
Desci do carro com cuidado. A casa era grande, construída em madeira escura e pedra, cercada por pinheiros altos. Luzes quentes vinham das janelas, contrastando com o branco da neve ao redor. Tudo ali parecia sólido, seguro, distante do caos que havíamos deixado em Moscou.
Mesmo assim, meu estômago estava apertado.
Não era por causa do lugar.
Era por