Eu tô sentada na cama do quarto simples que o Trovoada me colocou, costas encostadas na parede, joelhos dobrados contra o peito. O vestido vermelho curto tá amassado, o salto alto jogado no canto, pés descalços no chão frio. A minha cabeça dói. Dói pra caralho. Eu não sei que horas são, não tenho celular, não tenho relógio, só a luz amarela fraca do abajur que deixa tudo meio amarelo, meio triste.
O silêncio é pesado. Lá embaixo, ouço vozes abafadas, risada baixa. Eu encosto a testa na parede,