Eu tô no escritório, porta trancada, tentando resolver parada de conta que o vapô trouxe mais cedo. Papelada, dinheiro contado, rádio ligado no baixo pra ouvir o movimento no morro. Mas minha cabeça não tá aqui.
Tá nela. Sempre nela.
Desde ontem no quarto, desde a lingerie preta, desde o olhar que eu não devia ter dado. Eu virei uísque até de madrugada, mas não apagou porra nenhuma.
A tela das câmeras de segurança tá ligada no canto da mesa. Eu olho de relance, hábito antigo, pra pegar visão