Como a vida precisava seguir em frente, Renato tirou a tarde para se reunir com alguns funcionários e resolver assuntos pendentes da empresa. Foram horas de números, relatórios e decisões que exigiam atenção, mas, mesmo assim, sua mente insistia em escapar em alguns momentos.
Quando a reunião terminou, um dos acionistas o convidou para beber algo.
— Vamos esfriar a cabeça — disse, num tom casual. — Você anda tenso demais.
Sem pensar duas vezes, ele aceitou, já que não queria voltar cedo para casa.
O bar era discreto, pouco movimentado. Sentaram-se em uma mesa mais afastada, pediram bebidas e começaram a conversar sobre coisas banais: negócios, viagens, oportunidades futuras. Renato respondia no automático, rindo quando esperado, concordando quando necessário.
Mas, em meio a uma frase e outra, a imagem de Sara surgia sem aviso.
— Você está longe hoje — comentou o acionista, quebrando seus pensamentos. — Aconteceu alguma coisa?
— Nada demais — respondeu, levando o copo à boca. — Só cansa