Na cozinha, Lorena dava ordens às funcionárias aos gritos. Não se importava com quem pudesse ouvir ou comentar. Queria extravasar toda a raiva que carregava e encontrava naquelas pessoas a oportunidade perfeita para isso.
— Não são esses pratos que mandei trazer! — gritou, assim que viu a funcionária atravessar a cozinha com o jogo nas mãos. — Por acaso você é burra ou surda?
A mulher se encolheu no mesmo instante, assustada com a mudança brusca de humor da governanta. Os dedos tremeram ao segurar a louça.
— Desculpe, senhora… — murmurou, com a voz baixa, quase engolida pelo barulho da cozinha.
— Desculpa não resolve incompetência! — retrucou, avançando um passo. — Quantas vezes tenho que repetir a mesma coisa?
Ela girou o corpo, lançando um olhar ácido às outras funcionárias, que fingiam se ocupar de algo qualquer.
— Vamos logo, bando de incapazes! — gritou. — Não estão vendo que o almoço precisa sair na hora certa?
Odete entrou pela porta da cozinha, assustada com a movimentação e o