Em seu quarto, Lorena começou a arremessar tudo o que encontrava pela frente, enquanto empurrava móveis sem cuidado algum.
— Maldição, maldição! — gritava, até derrubar a penteadeira.
Um dos frascos caiu no chão e se quebrou. Por coincidência, era o mesmo perfume que Renato usava. O cheiro se espalhou rapidamente pelo quarto e, no instante em que o reconheceu, ela parou. O ódio deu lugar a algo mais profundo, mais doloroso. Era o cheiro do homem que amava em silêncio há tanto tempo.
— Não pode ser… — sussurrou, com a voz falha. — Eu não posso te perder para uma pessoa dessas.
Tentando se controlar, deixou o corpo cair no chão e, sem forças para conter mais nada, começou a chorar. As lágrimas vieram pesadas, cheias de frustração e impotência.
Amava Renato havia anos, mas nunca tivera sequer uma chance real. Nunca foi vista, nem escolhida. Sempre esteve ali, à margem, observando-o seguir em frente como se ela não existisse. E agora, a simples possibilidade de vê-lo se entregar a outra m