Não era preciso que nenhum deles se virasse para conhecer de quem era aquela voz. Renato estava ali, parado a poucos metros, os observando com o semblante fechado e os olhos atentos demais.
Humberto se afastou de imediato, erguendo as mãos num gesto defensivo.
— Nada demais, senhor — disse ele. — Eu só estava conversando com a Sara.
Renato não respondeu na hora. O olhar dele passou por Humberto, depois voltou para Sara, avaliando a cena em silêncio, como se estivesse montando um quebra-cabeça do qual não gostava do resultado.
— Já terminou? — perguntou por fim, seco, sem tirar os olhos de Sara.
— Sim, já terminamos — respondeu Humberto, mantendo a calma.
— Então, volte para o seu trabalho. — Renato retrucou. — Aposto que ainda tem muita coisa para fazer.
Humberto lançou um último olhar para Sara, silencioso, cheio de preocupação. Em seguida, apenas inclinou a cabeça em sinal de respeito e se afastou, empurrando o carrinho de mão de volta ao caminho por onde viera.
Assim que ele desapa