Renato Salles
Aquelas mulheres sabiam exatamente o que estavam fazendo quando entraram no meu quarto. E, mesmo que uma parte de mim quisesse ir embora, outra — mais sombria, mais fraca — desejava ficar. Então, deixei que o momento me dominasse e fiz tudo o que quis, sem pensar em nada além da sensação imediata de poder, esquecimento e prazer.
Não sei quanto tempo ficamos ali, os quatro, naquele quarto. O tempo perdeu o sentido, havia apenas o calor, o perfume adocicado e os gemidos misturados ao som dos meus próprios pensamentos tentando se calar.
Quando tudo acabou e as mandei embora, o silêncio que ficou foi quase insuportável. A excitação deu lugar a um vazio amargo, uma náusea que subia pelo peito. Caminhei até o espelho e encarei meu próprio reflexo, o rosto suado, os olhos cansados e, pela primeira vez em muito tempo, me senti verdadeiramente sujo.
Não era isso que eu queria para a minha vida. Sinceramente, não.
Naquele momento, tudo o que eu mais desejava era estar casado com