O caminho de volta para casa teve um silêncio diferente.
Não era vazio, nem pesado. Era um silêncio cheio. Cheio de tudo o que havíamos vivido naquela noite, de tudo o que ainda ecoava dentro de mim. As luzes da cidade passavam rápidas pela janela do carro, e eu observava distraída enquanto sentia as meninas se mexerem devagar, como se também estivessem cansadas da festa.
Gael dirigia com uma mão no volante e a outra repousando sobre a minha coxa, num gesto simples, automático, que dizia mais do que qualquer palavra. Os meninos já estavam meio adormecidos no banco de trás, um apoiado no outro, exaustos depois de tanta música, tanta gente, tanto doce.
— Foi demais para eles — murmurei.
— Mas eles se divertiram — Gael respondeu, olhando rapidamente pelo retrovisor.
Sorri também.
Quando chegamos em casa, tudo parecia ainda mais silencioso do que o normal. Aquela calma profunda que só existe depois de um dia intenso. Gael ajudou os meninos a descerem do carro, cada um meio dormindo, meio