A casa estava silenciosa de um jeito diferente hoje.
Não era o silêncio comum depois que os meninos dormiam, aquele que vinha acompanhado de brinquedos espalhados, luzes baixas e a certeza de que o dia tinha sido apenas mais um. Era um silêncio denso, atento. Como se as paredes soubessem que algo importante estava prestes a acontecer e resolvessem respeitar o momento.
Leandra estava sentada na cama, apoiada nas almofadas, o cabelo preso de qualquer jeito, as mãos repousando sobre a barriga num gesto quase inconsciente. As meninas se mexiam de leve, como se também sentissem a tensão no ar. Ela fingia ler alguma coisa no tablet, mas eu conhecia aquele olhar desfocado. Ela não estava lendo nada.
Fiquei parado na porta por alguns segundos, observando-a.
Quantas vezes, ao longo da vida, eu tinha enfrentado reuniões decisivas, negociações agressivas, situações em que qualquer erro custaria milhões? Muitas. E nenhuma delas tinha me deixado tão inseguro quanto aquele instante. Porque ali não