Rafaelly Pacheco
Soube no instante em que o carro dobrou a esquina.
Não precisei descer. Não precisei sentir o cheiro. Bastou ver o prédio torto, espremido entre um ferro-velho e um bar que ainda tinha cadeiras de plástico viradas sobre as mesas, mesmo sendo quase meio-dia. As paredes descascadas pareciam carregar histórias que ninguém queria ouvir. Janelas estreitas demais. Portas fechadas demais. Tudo ali gritava abandono, ilegalidade e silêncio comprado.
Meu estômago revirou.
— Aqui? — pergu