Capítulo 200

Rafaelly Pacheco

Soube no instante em que o carro dobrou a esquina.

Não precisei descer. Não precisei sentir o cheiro. Bastou ver o prédio torto, espremido entre um ferro-velho e um bar que ainda tinha cadeiras de plástico viradas sobre as mesas, mesmo sendo quase meio-dia. As paredes descascadas pareciam carregar histórias que ninguém queria ouvir. Janelas estreitas demais. Portas fechadas demais. Tudo ali gritava abandono, ilegalidade e silêncio comprado.

Meu estômago revirou.

— Aqui? — perguntei, sem conseguir esconder o nojo na voz.

Mamãe, sentada ao meu lado, nem sequer virou o rosto. Apenas ajustou os óculos escuros e respondeu com calma.

— Não repare na aparência, Rafaelly. Resultados não moram em lugares bonitos.

Respirei fundo, tentando engolir a repulsa que subia pela garganta. Eu odiava aquele tipo de lugar. Odiava a sensação de estar pisando fora do mundo onde as coisas eram claras, organizadas, previsíveis. Mas odiava ainda mais a ideia de falhar. E falhar, naquele ponto
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