Leandra Félix
As semanas passaram devagar.
Não devagar no sentido ruim, pesado ou arrastado, mas naquele ritmo quase cuidadoso que a vida parece adotar quando sabe que a gente precisa de tempo. Tempo para o corpo acompanhar a mente. Tempo para o coração se ajustar às mudanças. Tempo para aceitar que nem tudo precisa ser resolvido de uma vez.
Desde a consulta, os dias tinham ganhado uma nova textura. Eu acordava com menos medo e mais atenção. Prestava mais atenção nos pequenos sinais, nos chutes das meninas, no riso solto dos meninos, no jeito silencioso de Gael estar sempre por perto mesmo quando parecia distante, resolvendo mil coisas ao mesmo tempo.
Ele estava diferente.
Não distante de mim, nunca isso. Mas atento de um jeito que eu reconhecia. Gael estava em modo proteção. E, estranhamente, isso me tranquilizava e me preocupava na mesma medida.
Naquela manhã específica, acordei com o celular vibrando pela terceira vez antes das dez horas.
Charlotte.
Suspirei antes mesmo de atender.