Rafaelly Pacheco
As nuvens abaixo da asa do avião tinham uma tranquilidade quase irritante. Um contraste absurdo com o que rodopiava por dentro o caos, frustração, pensamentos repetitivos que voltavam como punhais. Nada estava calmo. Nem a cabeça. Nem o peito. Nem os planos que pareciam tão sólidos quando foram criados e agora não passavam de poeira.
Fechar os olhos não ajudava, mas era melhor do que olhar para o nada e sentir o mundo desmoronando pela milésima vez. O piloto anunciou a descida para São Paulo, e o anúncio soou como um lembrete desagradável: o inferno tinha endereço. E era o Brasil.
Os Estados Unidos não tinham oferecido paz, apenas tempo demais para remoer fracassos. E, quanto mais as lembranças vinham, maior o ódio que fervia.
Leandra.
A queridinha do destino.
A protegida de tudo e todos.
A mulher que parecia carregar sete vidas dentro de um único corpo.
O avião pousou com um solavanco áspero, combinando com o humor acinzentado que acompanhava cada passo desde a parti