CAPÍTULO 46 — A casa não é um refúgio
A televisão murmurava sozinha na sala.
Betina não estava olhando as imagens porque era inútil, apenas escutava. As notícias falavam rápido, com aquele tom impessoal que não distingue tragédia de espetáculo. Nomes, sobrenomes, transformados em palavras para ela.
Ela reconhecia alguns sons da casa. Mas não precisava enxergar para saber que alguma coisa estava errada.
Então ouviu a porta.
Não foi uma batida nem um estrondo. Foi pior. Foi aquele som contido de