Lian Bianchi
O escritório da cobertura era o meu santuário de vidro e aço, o lugar onde eu costumava observar as luzes de São Paulo e me sentir o dono do tabuleiro. Mas hoje, o horizonte parecia irrelevante. Meus olhos estavam fixos na porta dupla que me separava da sala de estar, onde Júlia e Sabrina riam entre amostras de seda e catálogos de berços. A felicidade delas era um som que eu ainda estava aprendendo a processar. Era leve, musical, e tragicamente vulnerável.
Meu celular vibrou sobre