Júlia Cavalcante
Abri os olhos devagar, sentindo o peso da anestesia emocional que o ambiente hospitalar impõe. O teto branco e o som rítmico dos aparelhos não eram tão frios quanto o silêncio que preenchia o quarto. Virei a cabeça milimetricamente e lá estava ele. Lian.
Mas não era o meu Lian. Não era o homem que, horas atrás, enfrentou a própria linhagem para me proteger. O homem sentado naquela poltrona parecia uma estátua de gelo esculpida pela decepção. Ele segurava minha mão, mas seus