Leonel Bianchi
O ar dentro do apartamento de Silvia parecia ter mudado de densidade. Não era mais o ar comum de uma residência urbana; era o oxigênio de um território virgem, algo que existia apenas entre nós dois, carregado com a eletricidade de meses de contenção. Ela trancou a porta, mas o som do trinco não foi o de um isolamento; foi o som de uma prisão que nós dois, de comum acordo, escolhemos habitar.
Eu não esperei. Aproximei-me, e a urgência que antes era uma nota de fundo tornou-se