Silvia Silva
A luz da manhã filtrava-se pelas frestas da cortina, desenhando listras de um dourado pálido sobre o lençol desarrumado. O ar no quarto ainda estava impregnado com o perfume dele — sândalo, couro e algo mais primitivo, algo que agora eu reconhecia como o cheiro da minha própria entrega.
Eu estava deitada sobre o peito de Leonel. O movimento lento e ritmado de sua respiração era um metrônomo de calma, contrastando brutalmente com a tempestade que ainda parecia ecoar em minha mente.