O prédio da Royal Cacao Group se erguia no centro financeiro da cidade como um reflexo exato do homem que o comandava.
Vidro, aço e silêncio.
Um edifício inteiro dedicado ao império do cacau — das fazendas internacionais à produção dos doces mais exclusivos do mercado. Ali dentro, cada andar respirava estratégia, números e poder.
Ricardo atravessou o saguão sem diminuir o passo.
Assim que passou pelas portas de vidro, ouviu os saltos familiares logo atrás.
— Bom dia, senhor Rocha. — disse Francisca, acompanhando-o com a prancheta nas mãos.
Fran tinha quase quarenta e cinco anos e trabalhava com ele havia mais de quinze. Conhecia seus horários, seus humores… e seus silêncios.
— Bom dia. — respondeu, sem olhar.
— Está de mau humor logo hoje? — provocou. — Justamente no dia da reunião com os investidores franceses?
Ricardo soltou um meio sorriso que não chegou aos olhos.
— Quem disse que estou de mau humor? — perguntou. — Estou ótimo. Que horas é a reunião?
— Dez hor